Sistema de pagamentos no alvo geopolítico de Trump
Por que o governo Trump quer investigar o Pix?
Na última terça-feira (15), os Estados Unidos abriram uma investigação formal contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais. O documento, divulgado pela Representação Comercial dos EUA, menciona “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo” — em uma referência clara ao Pix, mesmo sem citá-lo diretamente.
O processo foi aberto com base na Seção 301 do Ato de Comércio norte-americano, instrumento jurídico usado para apurar eventuais barreiras ou distorções de mercado em países parceiros.
Desde que foi lançado pelo Banco Central, em 2020, o Pix:
Reduziu o uso de cartões de crédito e outros serviços com altas taxas;
Se tornou o principal meio de pagamento no Brasil;
Está sendo usado até em compras internacionais por brasileiros, especialmente no Paraguai e Panamá.
Empresas americanas, como Visa, Mastercard e a Meta (dona do WhatsApp Pay), perderam espaço no Brasil — e isso vem gerando incômodo.
O caso levanta questões sobre o papel do Brasil no ecossistema global de tecnologia e finanças. Criado pelo Banco Central, o Pix representa uma política pública digital que reorganizou o setor de pagamentos no Brasil. Em poucos anos, o sistema passou a interferir não só nas dinâmicas de mercado, mas também em fluxos financeiros transfronteiriços, como as transações em dólar.
Essa tensão evidencia uma disputa mais ampla: quem define os caminhos da infraestrutura digital no século XXI — Estados soberanos ou empresas transnacionais? A investigação dos EUA sobre o Brasil, tendo o Pix como pano de fundo, recoloca essa pergunta no centro do debate.
💳 O que isso tem a ver com o WhatsApp Pay?
Em 2020, o WhatsApp anunciou um serviço de pagamentos no Brasil, mas foi suspenso pelo Banco Central por operar fora do sistema financeiro regulado. A Meta nunca mais conseguiu recuperar esse espaço.
Enquanto isso, o Pix foi crescendo — e se prepara agora para lançar o Pix Parcelado, que pode afetar ainda mais o mercado de crédito.
🌎 Por que isso incomoda os EUA?
Além da concorrência com empresas americanas, o Pix começou a ser usado em transações que antes passavam pelo dólar. Isso tira poder de influência da moeda americana e ameaça uma estrutura que os EUA mantêm há décadas.
O Pix começou a ser aceito em transações internacionais entre brasileiros e comerciantes de países como Paraguai e Panamá. Esses estabelecimentos passaram a aceitar Pix como pagamento direto, sem conversão cambial, sem dólar no meio.
Essa prática — ainda que pequena — reduz a demanda pela moeda americana e desafia o domínio do dólar como unidade padrão de liquidação financeira no continente. Para os EUA, qualquer movimento que comprometa esse controle é interpretado como risco estratégico.
⚖️ No fundo, é sobre soberania digital
De um lado, o Pix é uma ferramenta pública, gratuita, criada dentro de um sistema regulado pelo Banco Central. Do outro, estão empresas privadas globais que atuam com modelos fechados, taxas e pouca transparência.
A investigação dos EUA não é só sobre pagamentos. É sobre quem define as regras da tecnologia que usamos: governos ou grandes plataformas?
Essa foi a sua Prensa Open de hoje! Até a próxima semana! 💎


