O seu passo mais corajoso pode ser pra trás
A vida nem sempre segue linha reta. Mudar de ideia, encerrar um ciclo ou abandonar uma meta que já não nutre mais também é um jeito de seguir em frente — com mais clareza, liberdade e intenção.
Eu sou daquelas pessoas que aprenderam que desistir é sinônimo de fracasso. Persistir é, para mim, um mantra involuntário. Mas eu quero desaprender isso porque sei que continuar nem sempre significa força.
Às vezes, o que exige mais coragem é justamente reconhecer que já deu — que aquela escolha que fez sentido lá atrás não conversa mais com quem você se tornou agora (e, principalmente, com o que você deseja para seu futuro). Foi mais ou menos isso que aconteceu com Bozoma Saint John, executiva de marketing com passagens por PepsiCo, Apple, Uber e Netflix.
Em 2017, ela assumiu um cargo de altíssimo nível na Uber. Estava no centro de uma empresa que enfrentava fortes críticas internas, especialmente em relação ao ambiente de trabalho para mulheres e pessoas negras. Bozoma acreditava que podia promover mudanças reais. Mas, em menos de um ano, decidiu sair.
Desistir pode ser um ato de inteligência emocional. Em entrevista durante o SXSW 2019, a executiva percebeu que, apesar da boa vontade de muitos, havia uma dificuldade em implementar mudanças reais. Ela concluiu que a situação se tornou excessivamente desgastante e afirmou:
“(A experiência) tornou-se uma boa lição para todos nós: você não precisa ser o salvador, pode salvar a si mesmo também.”
Desistência estratégica é isso: olhar com honestidade para o que está mais prejudicando que ajudando. É identificar quando algo não nutre mais, não inspira mais, não faz mais crescer. É sair do piloto automático, ter clareza para encerrar ciclos e energia para criar novos.
A decisão de Bozoma obviamente foi alvo de muitas críticas. Ao mesmo tempo, foi o que abriu espaço para o próximo salto da carreira dela e permitiu sua ascensão como Chief Marketing Officer global da Netflix anos depois.
Recalcular a rota é parte da jornada
Talvez o passo mais importante que você vai dar não seja para frente, e sim para trás — para observar com calma e perspectiva. Reavaliar o lugar que você ocupa e escolher com consciência para onde seguir. Nem toda desistência é perda — algumas são libertação.
E você? Tem algo que já passou da hora de deixar ir?
Essa foi a Prensa People de hoje. Até semana que vem!


