Como adotar agentes de IA no varejo digital?
Valdemir Silveira, da APIPASS, destaca no APICON 2025 como marcas estão acelerando suas estratégias para acompanhar o novo comportamento de consumo.
A integração inteligente entre dados, APIs e agentes de IA não é uma visão futurista — é parte do presente das empresas que lideram a transformação digital no varejo.
A palestra de Valdemir Silveira, cofundador da APIPASS, com o tema “Integração inteligente: como APIs e agentes de IA estão redefinindo o varejo digital” no APICON 2025 mostrou que os negócios mais bem preparados não são necessariamente os mais tecnológicos, mas sim os que sabem usar a tecnologia com estratégia, fluidez e foco no cliente.
A fala de Silveira destacou o papel estratégico das APIs na construção de experiências omnichannel e na viabilização de agentes de IA cada vez mais sofisticados. A proposta era clara: mostrar como a integração entre sistemas e o uso inteligente de dados estão permitindo que marcas se adaptem à velocidade das mudanças no comportamento de compra.
Jornada em transformação: o social commerce cresce no Brasil
Dados apresentados na palestra indicam uma tendência significativa de migração do consumo físico para o digital. Embora as lojas físicas sigam relevantes, sua participação nas compras deve cair de 45% em 2024 para 41% em 2026. Com os canais digitais já representando 55% do total, a necessidade de estratégias integradas, que unam físico e online, torna-se cada vez mais urgente.
Essa mudança impulsiona modelos de atendimento e vendas baseados em múltiplos canais conectados. A lógica de uma jornada única, que passa por loja física, redes sociais, aplicativos e marketplaces, exige sistemas ágeis, interoperáveis e inteligentes.
A palestra também abordou o impacto da chegada do TikTok Shop ao Brasil, prevista para abril. Com projeções de capturar de 5% a 9% do e-commerce nacional em até três anos, a plataforma deve aquecer ainda mais o segmento de social commerce. Os setores de beleza, cuidados pessoais, moda, saúde e eletrônicos são os mais propensos a se beneficiar desse movimento.
Empresas como Magazine Luiza, Mercado Livre, Natura, Renner e a rede C&A já estão se preparando para atuar dentro do novo ambiente, reforçando a disputa por atenção e conversão diretamente nas redes sociais.
As três ondas da IA no varejo
1ª: baseada em análise preditiva, surgiu há cerca de 10 anos e foi marcada pelo uso de dados históricos para prever comportamentos, como recomendações de produtos.
2ª: impulsionada nos últimos dois anos, trouxe a popularização de modelos generativos, capazes de criar novos conteúdos em texto, imagem, vídeo e áudio.
3ª: iniciada no final de 2024 — marca a chegada dos agentes autônomos de IA. Esses agentes são programados para tomar decisões e realizar tarefas de forma independente, sem depender de comandos diretos de operadores humanos.
A duração e a complexidade das tarefas executadas por esses agentes estão em crescimento acelerado. Estima-se que, a cada sete meses, dobre a capacidade das ações que esses sistemas são capazes de executar de forma autônoma. A palestra apresentou ainda exemplos concretos de aplicação da IA em empresas de diferentes portes e setores.
A Gucci, por exemplo, passou a usar IA generativa para personalizar o atendimento ao cliente, o que resultou em aumento de vendas por meio desse canal.
No Brasil, PicPay adotou agentes inteligentes no suporte ao usuário, obtendo um aumento de 45 pontos no NPS (Net Promoter Score) e uma melhora de 20% na taxa de resolução de problemas.
Já a fintech Klarna conseguiu reduzir drasticamente o tempo de produção de imagens digitais, de sete semanas para seis dias, ampliando sua capacidade de execução de campanhas e reduzindo custos.
A importância das APIs como infraestrutura invisível
Um dos pontos centrais da fala foi o papel das APIs como infraestrutura essencial para a integração entre sistemas legados e plataformas modernas. As APIs permitem o acesso em tempo real a dados armazenados em sistemas como ERPs, CRMs e plataformas de e-commerce, o que viabiliza a atuação inteligente dos agentes de IA.
Além disso, são elas que garantem a orquestração omnichannel: a capacidade de manter a continuidade da experiência do cliente em diferentes canais, preservando o contexto da interação. As APIs também permitem a automação de processos e a escalabilidade necessária para implementar novos agentes sem a necessidade de reconstruir sistemas do zero.
Como implementar agentes de IA?
A palestra também propôs um roadmap dividido em dez passos para a implementação eficaz de agentes de IA no varejo:
Definir objetivos de negócio claros, como personalização e atendimento 24/7.
Identificar pontos de contato com o cliente e padrões de comportamento.
Mapear fontes de dados disponíveis e viabilizar acesso via APIs.
Escolher plataformas de IA que permitam aprendizado contínuo.
Planejar jornadas específicas para diferentes momentos da compra.
Personalizar o agente de acordo com o tom e os valores da marca.
Começar com casos simples, como FAQs e rastreamento de pedidos.
Realizar integrações com sistemas internos.
Acompanhar KPIs como taxa de resolução e tempo de resposta.
Escalar para funções mais avançadas, como recomendação de produtos ou resolução de conflitos.
Quais os desafios para adoção de agentes de IA?
Apesar das vantagens, a adoção dos agentes de IA ainda esbarra em cinco grandes desafios apontados por Silveira:
Qualidade e unificação dos dados: garantir que os dados sejam consistentes, atualizados e acessíveis.
Integração entre sistemas: conectar plataformas legadas e modernas com segurança e flexibilidade.
Alinhamento com a jornada do cliente: oferecer experiências contextualizadas e eficazes.
Capacidade de escalar com governança: crescimento controlado, com segurança e compliance.
Adoção estratégica e gradual: escolher os primeiros casos de uso com base em relevância e impacto mensurável.
Essa foi a sua Prensa Open da semana! Até a próxima 💎



